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terça-feira, 20 de outubro de 2015

 
 “ Pelo que, tu também vens do Céu ! De que planeta és?
Antoine de Saint – Exupéry, O Principezinho
 

 Uma vida que se celebra nunca é amputada de sabedoria nem diminuída na imponência. As celebrações das sociedades, domésticas, religiosas e políticas, sempre foram solicitadas. Importa-me mais, que, a celebração seja um desejo individual ao qual não devemos estar imunes, como a uma sombra comprida.
 Prefiro celebrar quando detenho todos os pressupostos do ritual. Acto imediato, a memória condensa o presente e, assim, celebrar a vida nunca tem um limite estabelecido, a partir do qual não devem ir as nossas paixões, mesmo que as fronteiras morais e sociais fiquem mais porosas do que nunca.
Celebro a Vida; a que está, perto do imprevisto ou da verdade universal e que diz respeito a todos, celebro a vida, para que a miséria astuta não tome conta da felicidade, e para, que nenhuma opressão consiga rasurar o gosto de viver. Celebro a vida, para que se mantenha sempre a confiança que nos faz aprender as lições da história. Por fim, Celebro a história segundo consegui reconstruí-la até numa sala privada.
 
    ( foto -Royall Tyrell Museum  )

terça-feira, 13 de outubro de 2015

 
 
                                  Príncipe Genghi

                                “ … O  que  faltou á Elíada foi  o sorriso de Aquiles"
                                  ( in contos Orientais Marguerite Yourcenar )

Perguntei, se esperar que a noite termine se está a tornar difícil? Nada. Aliso as coxas dela. Amo as mulheres.
Tentei ser rápida, mas esta atmosfera de sábia voluptuosidade mantinha-me. Sem ser a teoria da beleza,   ele,  evocava-a , naturalmente,  quando falava , ou fazia rudimentares cálculos sobre o quotidiano.  È um homem que pertence mais á espécie do que ao sexo. Faz história.
Demorei-me mais,  para observar, que, manter vivas, todas as virtudes dos nossos heróis exige que se  deixe  entrar a morte, a amizade traída ou negada,  e a mediocridade de uma vida menos frondosa que os nossos sonhos, e ainda outros verdadeiros males.  Desliga- se, das virtudes. Das nossas e dos outros, daquelas que por erro tentamos encontrar. Grande partida, admitir o que, melhor nos define como sendo  aquilo que não fomos. Não há memória para êxitos que que não foram notórios, a avaliação  vai para o resultado, não para o esforço.

Demorei-me ainda , e depois, mais rápido que o necessário,  lembrei-me de Woody Allen que dizia; “… Que,  ser-se amado é, evidentemente diferente de se ser admirado, pois pode ser-se admirado á distância, mas para amar alguém, verdadeiramente, é preciso estar no mesmo quarto que a outra pessoa agachado atrás das cortinas..”. Acrescentei, que abdicava das cortinas. Risos.


segunda-feira, 12 de outubro de 2015

 

“ Those  who  fly alone”
Conhecia a história. Ignorava q verdade. Às vezes, é preciso ser a ideia platónica de uma pessoa sozinha, deixar os antecedentes suspensos e ser o tema. Um tema que inclua, tudo o que há de gostável e capaz. Mais feroz, que espectacular, elevar-se é uma experiência, de um longo e complexo ritual.  Assente no silêncio, escala em experiência e demora na coragem. Mantem-nos ágeis e laboriosos.  

 Quem voa sozinho, não se herda tardiamente. Tem valentia e desamparo, por vezes,  fortalecidos,  pelos lutos de antigamente. Quer combinar, um futuro próximo, onde possa criar voluntariamente uma paixão. E, desinibido, chega a querer ser amado por todos, para não corresponder ao amor.

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

 
 

           Toda

         ( thank you)

          
Vivi uns dias de Verão em Israel, de dia caminhava entre Jaffa e a avenida marginal de Telavive, uns quilómetros na hora do calor, interrompidos para entrar na água quente do mar de Jerusalém.
Esperei, a noite, para espiar as vivências deste povo. Israel, independente, em 1948 é ainda criança, mas o que, se encontra debaixo, da bata desta cidade, é um doseamento astuto de descaramento e compostura, café forte e bem tirado, galerias de objectos, artistas e designers. Uma cidade que nunca dorme.
Nem todos são religiosos, Telavive tem um ambiente secular. O Inglês é, muitas das vezes, incipiente e o hebraico intricado e fechado com um som robusto a rematar as frases. Gestos e berros, fecham os negócios e terminam as explicações aos turistas. Não se facilita. Sem cultura de serviço, as russas que fazem de empregadas de mesa não se esforçam em remediar o jeito para o atendimento. A rudeza é da praxe e se a gorjeta for pequena, elas devolvem-na. Toda a gente á assertiva, diz-se o que se pensa. Há jovens em princípio de vida com ideias no futuro e há quem, se detenha simplesmente ao som do transístor.
Jerusalém, apesar de ser uma cidade apertada, ensopada numa neblina de calor, apesar de, ser o tumulo dos reis para os Cristãos Apostólicos Romanos, para os Judeus e para os Muçulmanos, apesar da água benta se transformar em mágoa, apesar da elasticidade ser por vezes esquecida, apesar da mágoa dos vivos guardar ressentimento e alimentar vingança, apesar das almas confusas que buscam agressão, Jerusalém é intimidade.
Israel, devorada por males aos quais não se quis render, sabe valer-se. Israel tem mérito e tem algo mais. Impossível de não amar.
 
 
 


segunda-feira, 17 de agosto de 2015

 

“South of the Border”

 Fora da fronteira, está a sobre -realidade, há quem veja isto na trajectória de um  Sputnik a orbitar, a quem prefira um  barco de recreio a navegar. O que, uma trajectória tem de ter é um sentido, de preferência, preso ao poder da imaginação e ser capaz de transportar nesse trajecto, a expressão dos rostos que não vira antes, e que não nos pertencem.
Quem gosta de, uma “ cool ride”, gosta disto e gosta de o fazer com  de intervenientes cujas vidas são absolutamente só suas.  Enigmático, o surrealismo do quotidiano, tem  uma  aceleração, ás vezes vazia, ás vezes   penetrante. Fala de coisas novas e deixa outras por dizer. “…South of the border, down Mexico away..   ( Frank Sinatra, lyrics)

terça-feira, 16 de junho de 2015


 
What are days for?
Days are where we live ( Larkin)
 
A  aptidão para continuar a viver a vida de todos os dias depois de certas coisas acontecerem; o que é verdade, e o que é, inevitavelmente ficcionado pelos limites da memória.

 Vidas silenciosas ou apáticas, ás vezes mastigadas, sem grande significado nas quais ponderamos se devemos entrar. Que também podiam ser viagens insólitas com estadas em hoteís bafientos ou vários reencontros de entusiasmo e raiva , sarcasmo e fúria, onde é  possível que alguém ganhe ou percam todos.  Anos de silêncio e de bibliotecas se ainda assim  não existisse, nos nossos olhares a curiosidade, para quem imagina uma boa história.

 E, se houver tempo- porque tem de existir tempo, para  falar dos regressos , dos fantasmas que se avistam á luz do dia, das coisas antigas, dos amantes e dos loucos em fuga, dos enganados e dos espertalhões, do que divirte e do que intriga, do que comove e da estranha gratidão; então nunca vai haver um fim.

O  quotidiano, que nunca nos deixa morrer de inutilidade,  faz- nos recuperar a própria vida que tinha ficado para trás. Histórias inventadas mas nem por isso menos verdadeiras.





quarta-feira, 11 de março de 2015

 

Vida Habitual


“A sorte não existe. Aquilo a que chamais sorte é o cuidado com os pormenores “   
   (winston Churcill)
 Quem são os sortudos? Especialmente aqueles, que em tudo se podem considerar comuns, mas não são. Têm sorte. Andam sempre ao sabor de uma força sem  propósito e fazem a diferença. Estas pessoas, palavra a palavra resolvem equações de sucesso. Não é para todos. Felizmente conheço alguns.
  De facto ,há  horas em que só  queremos, algo que nos ajude a suportar o medíocre e sem pedir muito, estar em experiências em que todas as partes, tenham um pouco de talento. E já agora, que o saibam usar. No fundo, que sejam almas bem preparadas, para tudo. Que, até certo ponto, sejam capazes de abandonar os dados do excel ainda que seja só por momentos, que os seus territórios não vivam demasiado das suas essências, quando estas nada acrescentam. Que sejam antes, casos de estudo clássico, do que intermitentes leitores de rótulos. Que tenham vícios e virtudes. Num resquício de humor admito que não se consegue.
 Por isso, a sorte antes de mais, é ter na cabeça um “país” inventado, quando não existe a possibilidade de um simples encontro. Os desafortunados, são incapazes deste charme discreto. Mas isso são pormenores.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015



“ We are all fuckin different”

Benedict Cumberbatch, é o retrato  de Alan Turing, um matemático genial, que ajudou a antecipar o fim da segunda guerra,  ao desvendar os códigos das operações  da Alemanha Nazi. Juntam-se a ele, Linguistas, campeões de xadrez e prodigiosos fazedores de palavras cruzadas;  um desfile de oficiais da inteligência que jogam; o “ jogo da Imitação”. Um filme, pleno em  reconstituição histórica e com um  enorme caracter que nos incita ao combate aberto e permanente  para escrever o próximo “algoritmo” ou resolver o próximo problema.  Um filme, que soma o gênio, a complexidade e a pressão, de Turing, vendo-se, a vida intensa e assombrada de um gay assumido na Inglaterra da década de 50. Nenhum aspecto particular da vida deste homem foi focado, talvez porque nunca nos peçam que gostemos dele.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014


    " Uma criança, um professor, um livro e um lápis podem mudar o mundo"

                                                         Malala

    
   

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

  Portugal visto por um  Trendsetter
Fora da promoção “ mainstream” do Turismo, e graças  a um trabalho de divulgação integrado, entre a internet e alguns elementos decisores da comunicação social internacional, Portugal ficou conhecido pela oferta de  lugares, cool, trendy, hipster com atractivos eclécticos que resultam num boom de visitantes a destinos como Lisboa e Porto e outros must.
 Um case  Study; é assim que  Portugal é actualmente visto pela Organização Mundial de Turismo apresentando um crescimento  de visitantes ao nível do dobro da média global. Portugal é hoje uma “ Audiência Turística”;  “um next big think”. Planetário.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

" Lovemaps"




  
Lovemaps

Este script, não tem uma legibilidade imediata. Alguém já tinha dito, que o mundo existe para acabar num livro, acrescento, em imagens, que procuram alianças com o outro, com a condição, que os segredos sejam revelados. Recrutam-se experiências de esplendor, pela arbitrariedade das palavras e dos gestos dos quais não conseguimos extraír um só significado.

A encenação privada do desejo, pressupõe que alguém esteja apaixonado por essa representação de ser belo, sensual e principalmente autêntico. È uma corporalidade. Uma experiência individualmente significativa ; "ficámos mais autênticas quanto mais nos parecemos com aquilo que sonhamos que somos “ (  in “Tudo sobre a Minha Mãe “  de Pedro Almodôvar).

O script sexual, tem o seu modelo, de “ acção”, e pressupõe uma vinculação social, que pode ser, matéria privilegiada de confissão para quem rejeita viver o corpo, tornando-se,  numa encenação de interdição. O Purismo, manifestado na religião, assume esta condenação do processo construtivo da sexualidade, não conseguindo pensar e admitir esta, à margem de um formato político de categorias fixas e polarizadas, que incluem limitativas representação de “papeís” sexuais entre géneros.

Não havendo desvio das normas, não existem expectativas nas condutas. È pudor e “falso” pudor, que, sem fluidez na fantasia não assume a ideia de..” não haver sabedoria sem angustia nem haver felicidade sem dissolução” …, para que nos possamos  “ tornar outro “. Por momentos.

 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

“Tudo aquilo que gostas é ilegal, imoral ou da nova colecção”


 
“Tudo aquilo que gostas é ilegal, imoral ou da nova colecção”

Preparava-me para escrever sobre isto, o mais possível fora dos costumes. Adorei a frase e precisava de um amador desta ideia para meu cúmplice. Lembrei-me, desta declaração de Churchill e abracei-a para começar; "nenhum grande país foi salvo por homens bons, porque os homens bons não vão até onde é preciso ir". Ou seja, não gostam tanto assim. Não podia estar mais de acordo.
E com isto, arruma-se com o preceito da ilegalidade e imoralidade, do acto jurídico, e outras insípidas narrações que só são funcionais para aqueles que não passam de estátuas ambulantes do desprezo pelas suas vidas. A ideia de Ilegal , imoral ou da nova colecção têm um denominador comum que lhes assiste; serem gostáveis. Porquê? Pelo hipotético, pelo ludíco, pelo irónico, pelo cinismo e pela omissão, ou seja pelo ambíguo em vez do claro. E têm uma exigência; o resgate a essas razões. Sempre. Gostar, para ser capaz de gerir as zonas cinzentas, correr riscos, quer pela intangibilidade quer pela obscenidade ou imperfeição, tudo isto sem ser raso, nem vulnerável á infelicidade.
Ganhamos sempre em gostar e por excesso se for preciso. Gostar enriquece a existência e o imaginário. Vai mais longe. E o mais apetecível é ficar na véspera, de nunca partir desta capacidade de reproduzir convidativas imoralidades, ilegalidades e claro usar e abusar das “novas colecções”; esses passatempos de luxos funcionais, só porque se gosta.Tudo isto, são ideias gostáveis, com assombro para uns ou ultraje para outros. O que se gosta, pode estar ainda por viver e note-se, pode sempre ser mais interessantes do que o anterior. E isso basta para ficar disposto a correr o risco.

 

Guerra dos Tronos




 
   “ Guerra dos Tronos “

  E , se ;  “ a guerra é  continuação da política por outros meios “ ( Carl von Clausewitz )
 os próximos episódios vão conter imagens épicas pela luta do trono

 

 

quarta-feira, 4 de junho de 2014

"a scandal of normality”



 

 
Fiquei a saber que a revista Rolling Stones fundada em 1967 nos Estados Unidos, tem musica , tem política , mas também tem cultura popular. Basicamente, fala  sobre atitudes que a musica envolve e quer chegar a todos. O Papa Francisco tem esta imagem de “ normality”, o que tem vindo a conduzir a Igreja católica , ao  desejo de não se isolar  de uma plena transformação.

 O papa Francisco cuja eleição foi apelidada de “ a scandal of normality”  está a construir pontes entre pessoas distintas, com diferentes “ Backgrounds” e a integrá-los numa nova interpretação da Igreja Católica. E eu, como  outros, que tínhamos na memória ser intrusosos , agora sentimo-nos convidados nesta casa.

 Dando o exemplo, está a ajudar os fieís a cortarem com relações inuteís e improdutivas com a fé Católica, reposicionando os príncipios , alinhando os dogmas  e principalmente demitiu-se do papel  de julgar. Numa palavra resgatou-me.

O primeiro jesuíta a chegar á liderança da  Igreja católica trouxe sorrisos  em publico , naturalidade, “Styling” e a ideia de não ser um ágil  “ speaker”. Promove  uma cultura de identificação, pelo todo   realçando que  ser católico é ser mais que a soma das partes.

 Espero que seja mais uma  edição para “ os imortais da Rolling Stone”.