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domingo, 9 de novembro de 2014


 “ Viva lá Libertá “

 Egocêntrico, Casanova é uma personagem imortalizada a quem ninguém recusa, ou deve recusar a proposta. Uma áurea, mágica envolve uma vida de debochado,libertino, coleccionador de mulheres . As vezes escroque, mas sempre um conquistador empedernido. O que o move é uma raiva explosiva por um jogo de dissolução em figura romanesca.
 E livre, Casanova não tem melancolia, porque esta altera a nossa percepção, os nossos sentimentos e chega, para nos avisar. Os requintes da devassidão são para dar em quantia exacta e reanimam as próprias forças que o esmorecem, quando aparece alguém com temperatura positiva.
 Protagonizado por John Malkocich e filmado integralmente em Portugal, “ As Variações de Casanova”, têm muitas  memórias inebriadas de luxuria, diluídas pelas operas de Mozart. È possível que alguém ganhe. È provável que percam todos. E  “... neste  ascendente da virtude …beijam-se nas bocas e renova-se a homenagem”. ( in Justine, Marquês de Sade)

segunda-feira, 27 de outubro de 2014




“ Brutti, Sporchi e Cattivi"

      Ettore Scola 1975
 
 Para, quem gosta, de rir da liberdade linguística e intimismo Freudiano, o cinema Italiano esteve lá. Ettore Scola,  tratou  em “ Brutti, Sporchi e Cattivi"  da questão entre relações do género, feminino e masculino com a mensagem que as mulheres, não devem alhear-se do seu papel de subjugação no mundo em que vivem, isto  num  contexto social  de divisão capitalista do trabalho em Italia. E, para apreciar,esta, atitude é preciso ter a vontade de encontrar o riso na desvinculação dos princípios morais da sexualização. Eu tenho.
 
 È preciso, não temer, o domínio que é atribuído ao homem pela divisão sexual do género, que, faz com que este seja um incorrigível, consumidor, do feminino enquanto a existência do mesmo possa servir a sua sobrevivência e suprimir as suas necessidades.
 Esta codificação social, em contexto, também é capaz de me arrancar o riso. Acredito que há muitos recursos de atitude que não estão desenhados para o feminino, mais,  os acessos desiguais, serão sempre, uma realidade em algumas matérias.

 Neste filme, foi preciso primar pela escassez da ética para manter o equilíbrio de poderes, ao mesmo tempo, que, foi dada muito pouca liberdade  aos intervenientes,  por forma a que a submissão, pudesse, ter, um ambiente de realização pleno de cinismo, de corrosão e de devassidão. Tudo, alimentado,  por um notável diferencial de expectativas entre comportamentos, feminino e masculino.

 Pela sugestão, de uma fantástica linguagem, esta sátira cinéfila, sem cosmética, nem rodeios, é arrebatadora. “ Brutti, Sporchi e Cattivi", tem um tom burlesco próprio para encenar um festival de atrocidades. E, com pouco espaço, para a criatividade, parece ser um derivado da lógica. Pessoa dizia, que; “ Nada que seja arte, resulta de uma aplicação da lógica”. Há excepções.

 

sábado, 11 de outubro de 2014




 
“ every  time the suns comes down, my love comes down for you”
( in “ os ultimos dias de Pompeia E.G Bulwer-Lytton )
Quando as lavas de um adormecido Vesúvio ressurgem petrificando para sempre o quotidiano e as riquezas dos seus habitantes, outra coisa ganha vida; as mudanças feitas pelos heróicos personagens de Pompeia, entregues ao desfrute de alegres e imponentes imagens de prazer.
  E assim, ganham vida, as histórias atribuladas e os factos relevantes dos grandes amores. Por quem? Por mulheres com presenças naturais e mitológicas aparentemente acessíveis, autónomas libertas e desinibidas. São mulheres que reinam em romances marcados pela eterna busca de valores superiores que ultrapassem a própria história. Outrora, vítimas dos valores em decadência do Império Romano e ontem e hoje eventualmente atidas a outros abusos, que nunca as impediram de triunfar como beldades insolentes.
Mulheres de pés descalços, lábios abertos com decotes e lencinhos. Alegres e sensuais. Raparigas de casa, da praia, do mar, da vida. De toda a vida. Representam a juventude que teima em ficar pelo impudor, pelo riso furioso, pelos movimentos e apetites. São imprevisíveis e transtornadas, nos gestos do quotidiano.
 E principalmente aceitam o desejo dos homens a quem entregam  a “ chave”. Por vontade, não por submissão. Neste equilíbrio entre o mistério e a perdição são elas que reinam. Há mulheres destas assim. Eternamente modernas