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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

  

                              O Decor

                                       ( Hotel Budapeste , Wes Anderson , 2014)

 O Decór, é um incitamento feroz. Este, é um assunto que não relativizo, se pudesse, revivia vezes sem conta áreas estéticas onde já fui feliz, quase como aqueles ratos que carregam e carregam num pedal ligado aos seus centros de prazer e só param quando morrem. Quero dizer, que não tenho a mais pálida tendência abstémica quando estou perante a possibilidade de habitar e assimilar uma atmosfera que me agrada.

 Decor que se queira , é sempre um ponto de referência e convida  a viver o que ficou longe da tragédia da banalidade inocente. Ali, partes individuais do nosso corpo vão para paraísos diferentes.

 Os cenários são vários; alguns excêntricos com corredores intrigantes, outros majestosos com salões lindos, cozinhas felizes, almofadas decentes, alcovas onde se conversa baixo, comodas antigas, ás vezes,  surpreendentes casas de bonecas . Tudo provas que a vida não nos falha. Cenários não são acessórios, antes histórias, confusões e mistérios . Algumas podem ser contadas.

terça-feira, 11 de agosto de 2015

 
                     Mon Oncle, 1958
                    Deux  Temps
Imaginem, que podíamos trocar o tempo das coisas que acontecem. O modo como se deram e as pessoas que as protagonizaram. Dá,  uma situação embaraçosa para quem está e para quem chega, só corre bem aparentemente. Disse, Winston Churchill  que ;  “ o jantar teria sido esplêndido se o vinho não estivesse tão gelado como a sopa, o bife tão mal – passado como o serviço, o brandy tão velho como o peixe, e a criada tão disponível como a duquesa”.
 Há coisas que não se conseguiriam saber nem se conseguiriam fazer sem presenças como esta, fechadas naquele sorriso de quem domina o destino. Pessoas de qualquer tempo.  Que me ensinaram a escrever “ para sempre” . Ainda sei pouco.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

 
 

 The Mother Road  and the easy rider

 Um lugar, onde exista inquietação e incerteza desespero e desejo,  destruição e capacidade redendora  nunca terá um fim.  Route 66, e a ideia   do sonho Americano, tão vivo quanto uma respiração curta e agitada, com a capacidade de acrescentar um  sopro de epopeia  ás exaustivas jornadas.
 De Chicago a Los Angels,  são milhas de generosidades deixadas por todas as almas que já a fizeram,   são cenários de pequenos teatros improvisados, de liberdades dominadas pela tentação, pelo triunfo, pela luxuria , pela droga , pelo dinheiro, ou simplesmente por pouco.
 Os, ainda e sempre , vultos “ Beat”, (que o Jack Kerouac  tão bem imortalizou em “ On the Road” ) e, os que os precederam ao fazarem,  esta estrada por altura da  Grande Depressão de 1929, só me fazem pensar em largar toda a brandura e ser faminta e feroz por instantes.  Como escreveu, John Steinbeck nas “ Vinhas da Ira “ A única coisa que nos deve importar é dar um passo á frente por pequeno que ele seja…nada é inútil mesmo o que  parece”. È tão bom descer a estrada em direcção a um sítio novo.
Uma paragem importante seria com certeza,  o Emma Jeans Cafe, a casa do Brian Burger, onde foi filmado Kill Bill. Route 66, o “ double-digit number easy to remenber as well as pleasent to say”
 

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

 

“Have less. Do more”

  Continuará, a haver sempre, uma serie de males, para manter vivas as virtudes do homem, um deles é encontrarmos uma vida menos vasta que os nossos projectos e mais enevoada, que os nossos sonhos. Contudo, nunca se esteve, tão perto, como agora, de encontrar o equilíbrio necessário, entra a distância e a intimidade com as coisas. Há, uma necessidade de reduzir espontaneamente as formas. Não se trata de austeridade, concisa e rápida, mas sim de uma governabilidade, mais espiritual, que tenha, como base de expressão poucos elementos fundamentais. E, fundamental é mesmo assim; o quanto  basta, para retirar mais.

Ainda me lembro, e sem desprezo, da geração “ beautiful people”, vinda da transição entre velhas e novas burguesias, cheias de “representação”. E, por mais que, o tal,  jogo de espelhos ampliasse, o molhe de chaves pousado na mesa do telefone com a cabeça de couro e as múltiplas pernas em metal, ou o jarrão de cerâmica com flores, ou ainda o material sintético da alcatifa, estas criaturas míticas, só serviram para lembrar , a brevidade e a transição. São representações directas, mais ou menos firmes, com ar de espectáculos públicos a fazerem parte do cortejo que dura menos tempo.

  Deste velho, “edifício” que serviu para  transformar, tudo na vida , só para que, tudo fosse, materialmente possível, resta pouco. As novas “arquitecturas”, pessoais e sociais são projectos mais silenciosos, com redução formal. São, essências, que se,  deixam transportar, até um destino “fabuloso”. Talvez por isso , o que não fomos até agora, seja ainda , o que melhor nos define. Como Amélie.

 


quarta-feira, 15 de outubro de 2014

 

“ Este tempo passou, embora seja o nosso…”

( Javier Marías ; “ Os Enamoramentos” )

Há coisas que demoram o seu tempo, e uma delas é a retoma de períodos históricos, de momentos de grandes mudanças, de preceitos, de cerimónias, de celebrações. Foi isto, que em parte se quis fazer nestes anos 2000.

 Para quem não sabia de nós, éramos, a geração da saúde e do culto do corpo, da economia próspera que assistiu ao atentado do word Trade Center. Do Pós –Modernismo e da Internet , tudo um “mix feelings” com uma grande nostalgia cultural, trazida pela globalização ás economias.  Uns dias, consumistas superficiais e outros ambientalistas e anti -globalizantes. Deu nisto, o revivalismo do sonho Americano já sem a geração beat, que vivia mais do  lirismo do que  do realismo.

 E, já sem “ Paz e amor” para dar,ficamos cada vez mais ácidos, das experiências da droga, da perda da inocência e do que nos foi exigido para erguer e protagonizar a  indelével  revolução sexual.   Inclui-se, nesta: a cultura gay, o movimento Punk , o transtorno de viver a geração Aids e ainda, todo o preconceito e intolerância de muitos envolvidos. Na altura, fomos hedonistas  e individualistas. Sem  compromissos. Era o Niilismo, com muitos “ super -Homens”, idealizados  pelo  cinema que  deram filmes de catástrofe. Pragmáticos e agressivos que protagonizaram  adultos mergulhados nas almas dos seus personagens. Nada de “ cinema teen”, como nos idos anos oitenta.

Vidas, só se aceitam sem constrangimentos, foi o “mainstreem”, até ao olhar do cinema independente americano que pega no mito do eterno retorno,  a alguma integridade perdida; essa contracultura sexual  que ficou lá atrás, refém da “ Paz e do  Amor” e deu no “ Shortbus”, que pode não ser, do melhor que o cinema  já viu,mas explora o desejo sexual de forma hedónica e bem humorada.

O que confunde, é que o sexo aparece como uma ultima tentativa de afecto, de preenchimento de vazio existencial , provocado em parte pela fragmentação da sociedade Ocidental.  E isto, pode ser muito da inocência que existe dentro de nós. Daquilo que nos faz realmente mover. È pueril. O erotismo perdeu espaço, e a líbido foi formatada e massacrada pela civilização, que deixa um prazer imediato e rarefeito. Só aparência, sem espaço para a memória e principalmente para a liberdade de viver o imaginário. È a solidão. O desprazer pós-sexo, por vezes um terror contemporâneo. Um gosto amargo, sem contraste do doce. Como diz o dono do clube shortbus; “ È como nos anos 60, mas com menos esperança”. E disse tudo.